Editorial: Filadélfia merece respeito — não remendos


https://jf1.one/WED9M

Av. Tancredo Neves recebeu reparos paliativos novamente neste mês de janeiro. — Foto: JF
Av. Tancredo Neves recebeu reparos paliativos novamente neste mês de janeiro. — Foto: JF

Compartilhe


A operação tapa-buracos em Filadélfia ultrapassou há muito tempo o limite do aceitável. O que deveria ser uma ação emergencial e temporária virou símbolo do improviso, do desperdício de dinheiro público e da falta de planejamento da gestão municipal.

Em vez de investir em soluções definitivas, capazes de resolver de fato o problema crônico das ruas deterioradas, a administração prefere insistir em remendos malfeitos, de baixa durabilidade, que se desfazem com as primeiras chuvas. O resultado é previsível: buracos reaparecem, recursos são desperdiçados e a população continua sofrendo.

Mais grave ainda é a situação das áreas mais afastadas do centro. Enquanto algumas vias centrais recebem atenção pontual, bairros periféricos enfrentam ruas esburacadas, trechos afundados, falta de drenagem e alagamentos constantes, especialmente próximos aos meios-fios. Em muitos pontos, basta uma chuva moderada para transformar ruas em verdadeiros rios, evidenciando a completa ausência de planejamento em drenagem urbana.

A insistência nesse modelo ultrapassado de manutenção revela uma gestão sem visão estratégica, que prefere gastar repetidamente com paliativos do que investir em recapeamento asfáltico de qualidade aliado a obras estruturais de drenagem, solução técnica, durável e financeiramente mais vantajosa a médio e longo prazo.

Ninguém diz que conseguir emendas parlamentares seja fácil. Exige articulação política, planejamento e capacidade administrativa. No entanto, é preciso lembrar que o prefeito David Bento (PP) já está em seu segundo mandato, período em que a cobrança por resultados concretos se torna inevitável.

No primeiro mandato, a avaliação foi mais positiva, sobretudo porque a gestão soube aproveitar recursos, projetos e estruturas deixadas pela administração anterior. Houve avanços visíveis e uma percepção inicial de progresso. Já neste segundo mandato, o cenário é outro: o desempenho é fraco, a resposta é lenta e os problemas de infraestrutura urbana se acumulam. A cidade cresce, as demandas aumentam, mas as soluções apresentadas continuam sendo paliativas e insuficientes.

Outro "erro grave" da administração foi a escolha da pavimentação em bloquetes. Embora visualmente aceitáveis, os bloquetes apresentam baixo desempenho em ruas de tráfego constante, maior nível de ruído, desconforto na condução, desgaste acelerado e alta necessidade de manutenção. Na prática, não agradam a população e não entregam a performance que uma cidade em crescimento exige.

A pavimentação asfáltica, por sua vez, oferece mais conforto, melhor escoamento da água, maior durabilidade, melhor desempenho estrutural e economia a longo prazo. Ignorar esses critérios técnicos não é apenas uma escolha questionável — é um erro administrativo que impacta diretamente na qualidade de vida da população.

Ainda mais preocupante é perceber que há quem aplauda esse tipo de ação superficial, tratando remendos malfeitos e decisões técnicas equivocadas como grandes conquistas. Essa postura contribui para normalizar o improviso, reduzir o senso crítico coletivo e perpetuar um modelo de gestão que entrega pouco e cobra muito.

Filadélfia não precisa de maquiagem urbana.
Precisa de planejamento, seriedade, competência técnica e respeito ao dinheiro público.

A cidade não merece tapa-buracos.
A cidade merece asfalto de qualidade, drenagem eficiente, obras bem executadas e soluções definitivas.

Chegou a hora de parar de aceitar migalhas e começar a exigir gestão de verdade.

Tags : Filadélfia, tapa-buracos, pavimentação, drenagem, alagamentos, obras públicas, gestão municipal, prefeitura de Filadélfia, prefeito David Bento

Ao clicar em "comentar", você declara que leu, entendeu e concorda com nossos termos de uso e política de privacidade.

Subir para o topo